segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Capitulo 3



- É hoje, viu? - brincou Fábio com Victor. Hoje seria o dia em que Victor iria para casa de Fábio, como prometido, para aprender a andar de skate. Os dois estavam no recreio sentados na mesma turma de sempre. - Já falou com sua mãe? Vamos direto da escola.
- Já - respondeu Victor. Ele estava sentado de frente pra Fábio numa das mesas do patio com uns amigos extras.
- Aonde vocês vão? - perguntou rindo Laura aos dois, sem entender nada. - Não me chamam, né?
Laura ri.
- Eu vou ensinar o Victor a andar de skate lá em casa. - riu Fábio.
Laura franziu o cenho.
- Você quer aprender a andar de Skate? - perguntou Laura a Victor.
- Quero, sempre quis. Mas nunca tive coragem, sei lá. - respondeu ele.
- Vai conhecer os pais de Fábio, é? - brinca Laura.
Fábio e Victor franzem o cenho.
Como?
- Brincando gente. - ri Laura
Fábio e Victor riem.
- Meus pais nem vão estar em casa hoje. - continuou Fábio rindo como se tivesse brincando também.
- Ei! - reclama Victor preocupado com essa brincadeira. - Vamos parar?
- Ta bom, parei. - disse Fábio rindo da cara de Victor e dando um soco no ombro do mesmo.
Victor cora fortemente.
O sinal bate e todos voltam paras salas. Enquanto Victor e Laura entram na mesma sala, logo a mesma solta uma brincadeira cutucando as costas de Victor:
- Vocês serão grandes amigos.
Victor da de ombros, ele nao queria saber se eles iriam ser grandes amigos, ele só estava devendo uma saída com o Skatista graças a grosseria do dia anterior. Mas por um lado, ele tera gostado de saber que terá um novo amigo. Fábio era muito simpático e amigo, brincava nos momentos certos, sabia parar na hora certa e respeitava Victor, sem contar que ele adorava Victor.
- Eu só vou aprender a andar de Skate, nada mais. - ocultou Victor.
- Ah mas pode falar, Fábio é muito legal. - provocou Laura.
- É sim. - disse Victor dando de ombros pra provocação de Laura.
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As aulas do dia tera acabado. Victor sai de sala e anda até a saída da escola para esperar Fábio. Eles iriam juntos pra casa de Fábio e andariam de Skate. Na verdade, Victor não sabe andar de skate, ele está indo para casa de Fábio para aprender a andar.
- Vamos Victor? - perguntou Fábio a Victor se deslizando para perto dele.
- Vamos. - respondeu Victor.
Eles foram andando até o ponto de ônibus. Ao chegar lá, no exato momento o ônibus para e os dois entram. Quando os dois sentam, logo após Fábio solta uma pergunta:
- Está nervoso pra aprender a andar de Skate?
Fábio ri.
- Nervoso? - perguntou Victor sériamente.
- É. - deu continuidade, Fábio.
- Não, não estou. Estou até contente, eu acho.
Contente?
- Nossa - suspirou Fábio - contente?
- Eu sei que é meio exagerado dizer nessas palavras, mas finalmente eu vou aprender alguma coisa. Não que eu queria ser profissional e andar todo dia como você. Mas quero ter uma noção, sabe?
Fábio ri. Ele não esperava que Victor fosse dizer uma coisa dessas, ainda mais porque Victor foi sempre tão indiferente e sempre tentava expor isso de um modo grosso e esnobe, mas dessa vez não. Dessa vez Victor falou de uma maneira tão verdadeira e calma, que Fábio nem tera acreditado, por fim ficara aliviado e feliz.
Ao saltar do ônibus, os dois se dirigem a casa de Fábio. Ao chegar lá, Victor se espanta ao ver a casa de Fábio. Era enorme, com dois andares, uma piscina nos fundos com um quintal maravilhoso, logo após ele solta um comentário:
- Nossa. Você é filhinho-de-papai. - brinca Victor.
- Imaginei que você fosse dizer isso - riu Fábio. - Meu pai é dono de 2 fábricas de queijo, uma aqui e uma lá em Minas, onde nasci.
- É mesmo, você veio de minas é? - perguntou Victor.
Fábio assenti.
- Então vamos aprender a andar de Skate?
- Claro.
Fábio começara a mostrar uns movimentos para Victor, técnicas de como começar a pegar no Skate, entre muitas outras coisas. Está muito difícil, Victor não parava de cair do Skate, a unica coisa que ele conseguia era ficar em pé, mas depois caia.
- Victor, voce tem pé torto. - ri Fábio.
- Eu sei. - afirmou Victor sem rir. - Minha mãe fala pra eu ir num ortopédico o tempo todo.
- E por que não vai? - perguntou Fábio sériamente.
- Sei lá. - disse Victor rindo.
- Eu nunca vou entender uma pessoa como você. - diz Fábio franzindo a testa. - E é por isso que eu gosto de você, cara.
Victor cora fortemente.
- Mas voce deve ir né, caso queria aprender a andar de Skate.
- Eu sei, mas como eu disse antes, não quero nada profissional. - disse Victor. - Na verdade eu prefiro ver as pessoas andando, acho muito legal.
Victor ri e joga o skate pra perto de Fábio.
- Então fica me olhando. - disse Fábio pegando o skate. Victor estava atentamente olhando para Fábio enquanto ele andava de skate.
Ele é muito legal, nunca imaginei que fosse gostar de alguem como amigo tão rapido. pensou Victor.
Algum tempo se passou e já estava tarde. Victor e Fábio estavam na sala conversando e vendo clipes na MTV.
- Tenho que ir. - disse Victor a Fábio se levantando.
- Mas já? - perguntou ele um pouco triste. - Queria que você jantasse aqui e conhecesse meus pais.
Fábio ri.
- Aff - suspirou Victor - isso suou meio namoro, credo.
- E não pode ser? - continuou rindo, Fábio. Como sempre, brincando. - Estou brincando.
- Idiota. - riu Victor.
Os dois andaram até o ponto de ônibus para que Victor pudesse ir embora.
- Você me deve mais uma visita. - riu Fábio no ponto de onibus com Victor.
- Por que? - perguntou Victor franzindo a testa. - Não devo nada.
Fábio ri muito.
- Estou brincando. Mas bem que voce podia voltar pra gente ir na piscina.
- Pode ser. Um dia eu volto - brinca Victor. O Onibus chega e Victor entra dentro do mesmo. - Tchau, Fábinho.
Fábinho? pensou Fábio. - Tchau Victinho.
Eles riem.
Victinho e Fabinho?
Quanta intimidade. Não?

domingo, 1 de agosto de 2010

Capitulo 2.

Eram 12h30, Victor estava saindo de casa. Ele estava indo para escola. Ao sair do portão do prédio onde morara, seus olhos deparam com um menino descendo do ônibus. Era Fábio, mas dessa vez ele estava sem o skate entre os braços. Victor percebera e logo após tenta se esconder para que novamente, seu futuro-talvez amigo não desse mais daqueles papos simpáticos e irritantes de puxar o saco. Mas já era tarde de mais. Fábio tera visto Victor saindo de casa antes mesmo de descer o ônibus.
- Victor! - chamou Fábio. Logo Victor forçadamente para no mesmo lugar, lentamente se virando para cumprimentar Fábio. - Você mora nesse prédio?
Victor assenti.
- Eu moro em Camboinhas - respondeu Fábio sem ter alguma pergunta feita. como sempre. - Então eu sempre desço por aqui. - Fábio ri e logo em seguida sugere - Vamos juntos para escola?
Victor deu de ombros. Ele já estava indo para escola mesmo. O problema seria aturar as respostas não perguntadas de Fábio. Mas era só ignorar, o que Victor fazia muito bem.
Ignorar.
- Ontem foi muito legal - disse Fábio para Victor - Pena que você não foi, você ia gostar, eu acho.
Você acha.
- É, não deu. - concluiu Victor.
- Da próxima vez você irá? - perguntou Fábio ansioso pela resposta.
Victor deu de ombros.
- Pode ser.
- Pode ser? - Fábio rapidamente sentiu que essa resposta teria sido indiferente para Victor - Pra você é tudo tanto faz, pode ser e essas coisas?
- É. - responde Victor com mais indiferença ainda.
- Parece que você não gosta de mim. - concluiu Fábio.
- Indiferente para mim.
Nossa, dessa vez acho que Victor passou dos limites. Todos nós sabemos que Victor não está nem ai, mas não necessitava ter pedra-do o coitado do Skatista. Logo após, Fábio para de frente para Victor e logo diz:
- Tá legal cara, foi bom te conhecer.
Victor se sentiu meio culpado por ter dito palavras tão grossas. Aliás, não era a toa né. Mas ele se sentiu mal, pensou em pedir desculpas, mas deixou que Fábio fosse embora sozinho pra escola. Victor entrara na escola e vira Fábio com uns amigos conversando e rindo bastante, porem quando Fábio se vira por um momento e olha para Victor, sua expressão muda de estou-tentando-disfarçar-mágoa-rindo-com-meus-amigos para estou-muito-chateado. Parecia até que eles eram amigos a anos, que de repente brigam e ficam de mal com o outro por vários motivos. Apesar de sinceramente não ter nenhum motivo. Mas Victor se sente mal, ele até ficara com vontade de pedir perdão pela grosseria, mas deixou passar.
- Victor, vamos entrar logo. O professor chegou. - disse Laura apressando Victor.
- Estou indo. - disse Victor desviando o olhar de Fábio para Laura.
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- Você disse essas coisas pro Fábio? - perguntou Laura chocada. Estavam todos sentados assistindo a aula e ela estava conversando com Victor. - Que grosso.
- É verdade - assentiu ele. - Mas ele fala muito e você me conhece, estou pouco me fodendo. Me irrita.
- Se você soubesse o quanto ele fala de você.
Como assim?
- Como assim? - estranha Victor. Por que motivos Fábio iria falar de Victor para Laura?
- É, ele falou que nunca conheceu ninguém igual a você - disse Laura - Ele me falou que seu jeito é muito na sua e que ele gosta de pessoas assim, e que você quer aprender a andar de skate. Ele quer ser seu amigo.
Victor se sente meio mal novamente, ele gostava do jeito indiferente de Victor e queria ser amigo dele. Victor se sentiu bem ouvindo essas coisas e resolveu conversar com Fábio, mas não agora, no recreio. Quem sabe.
Era hora do recreio e todos estavam sentados da mesma forma, o recreio sempre era da mesma forma. Só que dessa vez Fábio não tera se aproximado da roda para conversar com Victor novamente. E nem Victor estava no meio das pessoas que ele sempre ficara.
Onde estara Victor? E Fábio?
Fábio estava sentado em um canto com uma garota de mãos dadas, trocando carinhos e beijos no rosto. Namorada? Sim, era a namorada dele. A Isa, uma menina meio rockeira que vivia andando de preto.
- Fábio.. - o chamou Victor. Raro não? Victor jamais ia até uma pessoa estranha, desconhecida, seja lá qual classificação dar para essa pessoa. - Posso falar com você?
- Claro. - assentiu Fábio levantando - Espera ai amor, já volto. - Fábio disse para namorada e se movendo do lugar com Victor para outro um pouco distante.
- Sua namorada? - perguntou Victor curioso.
- É sim - respondeu Ele. - E ai, o que você quer?
- Me desculpa, eu fui grosso. - desculpou-se Victor. - É que eu não fico dando importância para pessoa que nem conheço. Mas eu conversei com Laura e ela me disse muitas coisas.
- Disse o que? - perguntou Fábio corando.
- Disse que você me achava legal e queria ser meu amigo.
Fábio assentiu.
- Me desculpe, mesmo. Você me intende? - perguntou Victor com os olhos desviados pra parede mais próxima.
- Só se você for amanhã andar de skate comigo lá em casa - diz Fábio rindo com uma cara de adoro-aproveitar-dessas-situações-pra-cobrar-as-coisas.
Victor ri e logo desliza um soco fraco nos ombros de Fábio.
- Tudo bem.
- Que bom, fico feliz. Vou voltar pra minha namorada. Amanhã então? - perguntou Fábio se distanciando de Victor aos poucos.
- Amanhã.
Sinto cheiro de novas amizades.